Autismo (TEA) e epilepsia: qual a relação?

Criança com quebra-cabeças colorido, para falar sobre a relação entre Autismo e epilepsia

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e as interações sociais. Embora cada criança com TEA apresente características únicas, algumas condições neurológicas associadas são mais frequentes do que se imagina. Uma delas é a epilepsia. Estimativas atuais mostram que entre 20% e 30% das crianças com TEA também têm epilepsia em algum momento da vida. Por isso, compreender a relação entre autismo (TEA) e epilepsia é indispensável para garantir um cuidado mais completo.

A presença de crises epilépticas pode afetar ainda mais o desenvolvimento, a cognição e o comportamento. Por outro lado, muitas crises são discretas e passam despercebidas, sendo confundidas com sintomas do próprio espectro. Por isso, o acompanhamento conjunto com neuropediatra e equipe multidisciplinar é essencial para o diagnóstico precoce, a escolha do tratamento e o apoio à família.

Autismo (TEA) e epilepsia: por que a associação é mais frequente na infância?

A relação entre autismo (TEA) e epilepsia está ligada a fatores genéticos, alterações na maturação cerebral e distúrbios na conectividade neural. Embora nem toda criança com TEA desenvolva epilepsia, a presença do espectro aumenta o risco. Esse risco é ainda maior em casos com atraso no desenvolvimento global, déficits na linguagem ou síndromes genéticas associadas, como a síndrome de Rett ou a esclerose tuberosa.

Na maioria das vezes, a epilepsia em crianças com TEA surge em dois períodos: antes dos cinco anos ou na adolescência. As crises podem ser motoras, com movimentos involuntários, ou não motoras, como as ausências. Muitas vezes, a criança “desliga”, para o que está fazendo e não responde por alguns segundos. Dessa forma, é comum que os pais interpretem esses episódios como desatenção, regressão ou comportamento do espectro.

Observar o padrão dos episódios e sua repetição é o primeiro passo para identificar possíveis crises. O eletroencefalograma é o exame mais indicado para avaliar a atividade elétrica do cérebro e confirmar a presença de epilepsia. Quando há suspeita, é importante buscar avaliação neuropediátrica mesmo que a criança já esteja em acompanhamento por TEA.

Sinais de alerta e importância do diagnóstico conjunto

A identificação precoce da epilepsia em crianças com autismo (TEA) depende da atenção aos sinais. Isso porque nem toda crise é evidente. Muitas manifestações são sutis e confundidas com as características comportamentais do espectro. Entre os sinais que devem acender o alerta, estão:

  • interrupções frequentes de atividade com olhar fixo ou ausência de resposta;

  • movimentos repetitivos anormais associados a perda de consciência;

  • episódios de rigidez ou tremores durante o sono;

  • regressão de habilidades já adquiridas;

  • alterações bruscas no comportamento sem causa aparente.

Ao notar esses sinais, o ideal é buscar avaliação com neuropediatra. O diagnóstico conjunto permite que o plano terapêutico seja adaptado. Em muitos casos, a introdução de medicamentos antiepilépticos melhora não apenas o controle das crises, mas também a qualidade do sono, o nível de atenção e a estabilidade emocional da criança.

O acompanhamento conjunto para autismo (TEA) e epilepsia também fortalece a orientação aos pais. Saber reconhecer uma crise, entender como agir e adaptar o ambiente são ações importantíssimas para garantir a segurança e a autonomia da criança. Além disso, o neurologista infantil atua em parceria com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores para construir uma rotina individualizada e mais acolhedora.

Embora o diagnóstico duplo possa parecer desafiador, a combinação de informações corretas, acompanhamento próximo e rede de apoio permite que a criança com TEA e epilepsia desenvolva seu potencial com segurança e dignidade. A atenção contínua, o olhar atento da família e o suporte especializado fazem toda a diferença no progresso de cada fase da infância. Agende uma consulta com um neuropediatra.