Aplicação prática dos critérios ILAE 2017/2022

Médico usando com o paciente a aplicação prática dos critérios ILAE

A aplicação prática dos critérios ILAE para classificação da epilepsia infantil tem ganhado espaço na rotina clínica de profissionais ao redor do mundo. As atualizações propostas em 2017 e revisadas em 2022 pela Liga Internacional contra a Epilepsia (ILAE) buscam tornar o diagnóstico mais claro, funcional e centrado no paciente. Um estudo recente publicado em julho de 2023, conduzido no University Hospital Galway, na Irlanda, analisou como esses critérios são utilizados no dia a dia e o impacto direto na qualidade do cuidado pediátrico.

A pesquisa avaliou 356 crianças atendidas em um centro terciário especializado em neurologia infantil. O objetivo foi verificar como os critérios ILAE estavam sendo aplicados na prática e quais classificações estavam sendo usadas. Além disso, analisou em que momento do acompanhamento se definia o diagnóstico e quais eram os principais desafios que os profissionais de saúde enfrentavam.

Entre os principais achados, o estudo revelou que em 33% dos casos não se registrava o diagnóstico sindrômico. Isso sugere que, embora os critérios estejam disponíveis, sua aplicação ainda enfrenta barreiras importantes. Especialmente no que diz respeito à padronização e à capacitação das equipes para utilizar corretamente a nomenclatura atualizada.

Como o estudo irlandês expõe as lacunas no cuidado

A aplicação prática dos critérios ILAE propõe a classificação das crises epilépticas com base no início (focal ou generalizado), no comprometimento da consciência, nas manifestações clínicas e na etiologia provável (genética, estrutural, metabólica etc.). No entanto, o estudo apontou que mais de 20% dos prontuários ainda usavam classificações genéricas ou ultrapassadas. Como exemplo, podemos citar “epilepsia parcial” ou “epilepsia tipo idiopática”, em vez de termos mais específicos.

Essa falta de precisão prejudica o planejamento terapêutico e compromete a comunicação entre médicos, equipes escolares e familiares. Além disso, um dos pontos mais relevantes do estudo foi a constatação de que, mesmo em um hospital de referência, a descrição completa da síndrome epiléptica foi registrada em menos da metade dos casos. Isso abre espaço para intervenções educativas e reforça a necessidade de treinamentos constantes sobre a aplicação prática dos critérios ILAE.

A pesquisa também destacou que, embora o eletroencefalograma e a ressonância magnética sejam amplamente utilizados, a integração dos dados clínicos com a nova classificação ainda é limitada. Isso indica que a aplicação prática dos critérios ILAE não depende apenas da tecnologia. Depende, além disso, de uma abordagem clínica mais estruturada, colaborativa e centrada na criança.

Aplicação prática dos critérios ILAE: oportunidades para melhorar o diagnóstico infantil

Mesmo com os desafios, o estudo identificou avanços significativos. Os profissionais que aplicaram corretamente os critérios ILAE conseguiram definir o diagnóstico com mais rapidez. Ademais, conseguiram ajustar o tratamento com maior precisão e orientar as famílias com clareza. Isso demonstra que a aplicação prática dos critérios ILAE não apenas qualifica o diagnóstico. Ela também fortalece a relação médico-família e favorece assim a adesão ao tratamento.

A análise dos 356 casos revelou oportunidades concretas de melhoria, como:

  • estimular o uso rotineiro da classificação sindrômica;

  • incluir a etiologia provável já nos primeiros registros clínicos;

  • padronizar a linguagem nos relatórios médicos;

  • formar equipes para aplicar os critérios ILAE de forma interdisciplinar;

  • integrar a classificação com a realidade do cuidado familiar e escolar.

A aplicação prática dos critérios ILAE, quando bem executada, oferece mais do que uma terminologia técnica. Ela propõe uma visão ampliada da epilepsia infantil, favorece diagnósticos mais precoces, orienta escolhas terapêuticas eficazes e melhora assim a qualidade do cuidado. O estudo irlandês reforça que a padronização diagnóstica é possível, mas depende de esforço contínuo na formação das equipes e na escuta ativa das famílias.

A experiência clínica somada ao uso consciente dos critérios ILAE pode transformar a jornada de crianças com epilepsia e abrir caminhos mais seguros para seu desenvolvimento. Por isso, se você ainda tem dúvidas sobre esse assunto, agende uma consulta com a Dra. Josyvera e receba orientações personalizadas.